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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Sobrevento

​ Na aragem tremendo açoite, como na adversidade, se comparado a um sobrevento. Ao contrário da aventura, o acidente de repente o deixou em apuro, e o transtorno só leva tempo. E, o que deveria ser um bafejo causou grande aperto, nem se imaginou que um cambapé poderia trazer o revés atual. O bafo quente insuportável como o pão apertado na sanduicheira, nem se fala no incômodo que é, tamanha provança diária. Por bambúrrio mesmo com atribulação em vários setores da vida, um contratempo atrás do outro, dizia que a desdita é algo construído com tamanha engenhosidade no caldo quântico. A bonança seria estar em harmonia e qualquer que fosse a agrura não lhe causaria nenhuma apertadela, momentâneamente, mesmo diante de qualquer dificuldade. A dita evolução na ciência foi do apertão de cada época, através dos êxitos de tanto baldão encarado de frente e não se contentando com o desgosto de cada derrota. O êxito vem em algum momento, outra época, pra outra geração, pra ele, hoje, a tribula...

Enchente

Sérgio , na rua beirando o rio, perpendicular a de sua mãe, passou e levou, ao ver Neyde , de shortinho do pijama se ajeitando pra sentar no degrau da porta, ao lado de uma criança. Parar ele não parou, só o tempo por um instante descompassou para ele fotografar um momento da bela, e, para mudar o curso de sua vida. Voltou, atravessou a rua, puxou assunto, logo Neyde abriu o largo sorriso e dilatou o coração de Sérgio, como ele costumava dizer, sobre a pretinha com quem se casaria com o consentimento do pai e de sua irmãzinha. Ele, com um pé no degrau: - tudo bem? - Já comeu? - Não! - Entra… Já pra dentro menina! - Aaah… - Senta… - Tá! - Vou fazer os pratos… - Quem é você?... - Deixa ele, aqui o seu… - Já lavou a mão? - Jaaaá!... - Sei, viu… Come! - Oremos… Amém! - Bom apetite! - Igual… Aceita se casar comigo? - Deus te dê uma boa sorte, meu filho, disse sua mãe fazendo o sinal da Cruz na testa. Casaram e, por ali mesmo, na casa do sogro, moraram nos três anos que nasceram os três ...

Deu O Pé

Aí ela disse talvez, foi nessa que embarcou, essa moça do pé dançava com ele e com todos, eram de uma escola de dança e faziam bico acompanhando uma banda. Nessa época aprendeu a dançar samba tintim por tintim, pé por pé, conversavam o trivial, trocavam olhares sorrisos e biquinhos quando acertavam o passo, mais nada além, até a viagem de volta. Reparou sim, não teve como, foi de supetão, “olhe os pés”, olhou e foi olhando, olhando e quanta coisa havia em comum, até por serem do mesmo solo gentil. Depois de ver o pé foi atrás de outras partes e viu muita coisa, inclusive antigas declarações crônicas, opiniões e posições, um ponto de vista muito, ao menos lhe pareceu muito, só, que é onde a morte nos encontra, a solidão apavora e a liberdade começa em brados retumbantes, entalados difíceis de engolir, de deixar pra depois, naquele canto, regato, espaço vazio, solo fértil para solitude, é onde também ele se encontra, derrame de pai, demência de mãe, e, pra começar, parte dali pro abraço,...